Eu(m) surto

Estou sempre a um passo do surto

Um só sapato entre mim e o absurdo

Tropeço no abismo, de cara no muro

Um passo há, entre mim e o outro mundo.

 

Preciso de um instante que seja surdo

O tempo do agora não faz sentido

Meu algo aqui está ficando louco

Não há distinção entre o cheio e o vazio.

 

Há muito barulho, há um burburinho

Um diz-que-me-disse de desatinos

Eu sei que se fecho os olhos, há medo

e se os abro, há luz em exagero.

 

Eu vou enlouquecer, eu trilho o caminho,

eu sei, eu sinto, já sou quase gritos.

Mas se ainda sei distinguir os sussurros,

das leis da física e do outro mundano.

 

Só quero desejar bom dia ao porteiro

sem despejar nele meu eu insano.

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Autor: Pâmela Côrtes

Faço literatura de banco de praça. Gosto de pessoas que falam sozinhas. Não gosto de esperar em consultório médico. Sou uma ótima ouvinte, mas crio histórias e respostas paralelas enquanto escuto. Pareço simpática, mas sempre imagino com qual animal as pessoas se parecem. Sempre arranjo algum. Não vou te contar o seu. Gosto de acordar cedo. Não gosto de pimentão. Não sei tirar foto, não sei fazer música, durmo de meias, não tenho foto minha na tela do celular, não entendo nada de bebidas, sou viciada em informação estúpida de fácil digestão e em quebra-cabeça (ambas em recuperação). Pareço profunda, mas não se engane, cago, mijo e peido como qualquer um.

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